Hipertensão x Sal

Sociedade Brasileira de Cardiologia Alerta para Excesso de Sal em Alimentos

 

A hipertensão conhecida popularmente como ‘pressão alta’, atinge cerca de 30 milhões de brasileiros, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Segundo a entidade, o excesso de sal na alimentação é uma das causas principais da hipertensão arterial. O conselheiro da Sociedade Brasileira de Hipertensão, Décio Mion, afirma que o brasileiro tem consumido mais que o dobro da quantidade de sal recomendada diariamente pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“O brasileiro consome, diariamente, uma média de 12 gramas (g) de sal nas refeições, quando o recomendado são apenas 5 gramas. É um alerta importante a esse excesso de consumo. O sal está relacionado ao desenvolvimento da hipertensão, e as pessoas com a doença podem ter complicações e aqueles que têm histórico na família se tornam mais vulneráveis”, ressalta.

 

O médico enfatiza que o sal é usado como conservante em boa parte dos alimentos consumidos diariamente e que por isso é necessário verificar o teor de sal no rótulo de cada um desses produtos. De acordo com a SBC, um pacote de 100g de pão de queijo tem 773 miligramas (mg) de sódio, uma porção de 100g de macarrão instantâneo, 1,516 mg, e um pacote de batata chips industrializada (100g), 607 mg.

 O hipertenso deve ainda evitar alimentos ricos em gordura animal, comidas muito calóricas e bebidas alcoólicas. A SBC recomenda que ele dê preferência a alimentos frescos, verduras, pescados, aves, cereais, frutas, legumes e fibras, além de praticar exercícios físicos.

 A instituição recomenda ainda que a população procure aferir a pressão arterial pelo menos uma vez por ano, com exceção dos que têm histórico de hipertensão na família ou sedentarismo. Procure orientação de um profissional de saúde sobre qual o melhor tratamento disponível.

No intuito de alertar a população sobre o teor de sal nos alimentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apresentará um estudo com 20 categorias de alimentos. Foram avaliados não só o teor de sódio, mas também a variação da quantidade de gordura saturada e açúcares entre uma marca e outra. A ideia é chamar a atenção do consumidor a essas variações e que tipo de implicações podem trazer à saúde.

Fonte: Correio Brasiliense – DF

 

Etiologia, Patologia, Patogenesia e Desafios

 Etiologia

A hipertensão arterial essencial tende a se concentrar em famílias e constitui uma coleção de doenças e/ou síndromes de base genética com vários fatores bioquímicos e fisiopatológicos herdados. Na grande maioria dos casos, a hipertensão arterial resulta de uma interação complexa de fatores genéticos, ambientais e demográficos. Pesquisas recentes sobre genes que contribuem para o desenvolvimento da hipertensão arterial essencial revelaram que o distúrbio é de origem poligênica.

Patologia

A hipertensão arterial apresenta níveis de pressão arterial sistólica (PAS) maior ou igual a 140mmHg e pressão arterial diastólica (PAD) maior ou igual a 90mmHg. A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). Associa-se, frequentemente, a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não-fatais.

 Patogenesia

A hipertensão, juntamente com outros fatores de risco cardiovascular, leva à aterosclerose e outras formas de patologia vascular através da lesão do endotélio. Se a hipertensão estiver acompanhada de hiperlipidemia, como ocorre em mais de 40% da população dos Estados Unidos, surgirão placas de ateroma. Quando não há hiperlipidemia, ocorre espessamento da camada íntima da artéria. A lesão vascular não-aterosclerótica induzida pela hipertensão  pode levar ao AVC e ao infarto, e o aumento da pós-carga, relacionado à hipertensão arterial, é uma causa importante de insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Ademais, fatores neuro-hormonais que contribuem para a patogenia da hipertensão, tais como o aumento da atividade do sistema nervoso simpático e da produção de angiotensina II, constituem causas independentes de hipertrofia miocárdica e remodelagem vascular.

Desafios

Com o aumento da expectativa de vida em todo o mundo, observa-se uma maior incidência e prevalência de certas doenças, particularmente as doenças cardiovasculares, como a hipertensão. No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 250.000 mortes por ano, a hipertensão arterial sistêmica participa de quase metade delas. As modificações de estilo de vida podem ter ótima aderência, desde que bem orientadas, especialmente através de uma equipe multidisciplinar. O uso da terapia farmacológica combinada é uma necessidade para os idosos, melhorando a aderência e a eficácia anti-hipertensiva e diminuindo os efeitos colaterais.

CECIL, Russell L. (Russell La Fayette); BENNETT, J. Claude (co-aut.); PLUM, Fred (co-aut.). Tratado de medicina interna. 20. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c1997. 1v.